A ópera das óperas

A ópera das óperas - Don Giovanni de Mozart

Por Leonardo Bittencourt, 27 de novembro de 2022

Don Giovanni está entre uma das três óperas cômicas escrita por Mozart. Datada de 1786, o “dramma giocoso Don Giovanni” foi inspirado na estátua fantasmagórica e um libertino impenitente, conquistador, pervertido e amoral da trama libretista de Lorenzo da Ponte já conhecida muito antes da criação dessa ópera

De modo geral, pode se perceber que esta obra possui algumas características da ópera Buffa como, por exemplo, uma trama engenhosa, vivaz e humorística que considerada como o marco importante da música lírica do século XVIII.

Em assuntos prosaicos bem interessantes, o criado de Don Giovanni, Leporello, assume o papel de contornar situações conflituosas dentre as inúmeras crises que se depreende da trama do enredo. Do aristocrata Don Giovanni não se vê um protagonismo de mocinho. Seu comportamento é notado como licencioso, violento e cruel de forma que irá direcionar o expectador ouvinte a desejar e apreciar o destino trágico reservado para o final da obra.

Já na abertura da ópera ocorre a menção do tema principal que se ouvirá em dramático dueto reservado para o final. Aqui, em caráter instrumental Mozart começa a ativar a memória auditiva daqueles que ouvem esta obra para dar-lhes toda a potência do drama final travado entre o personagem Comendador e Don Giovanni. Os elementos musicais se convergem a um ponto culminante, ou seja, cresce o nível da tensão da trama interrompendo o espírito jocoso predominante para dar lugar a um clima de punição vingativa.

O colorido timbrístico da abertura advindo de duas flautas, dois oboés, duas clarinetas, dois fagotes, duas trompas, dois trompetes, tímpano e cordas foi, surpreendentemente, escrita antes da estreia da ópera. Disso se nota, o quão astuto em música era Mozart ao prenunciar na inicialmente os desdobramentos do tema mais importante da trama sem sequer materializar o desenvolvimento composicional. As tensões que se sentem desse momento inicial são evidenciadas por discursos harmônicos baseado na "fala em coletivo" dos instrumentos de uma orquestra poderosa, forte e imponente capaz de afirmar a intenção do discurso musical, ou seja, o drama.

A peculiar solidez do aspecto trágico da peça está ordenada pelo princípio antagônico notado de forma clara pelo viés vida e morte, liberdade e ordem, uso de espada e da pedra. Portanto, as tensões músicas seguem tal clareza de forma a demonstrar lados claramente definidos e objetivos, tal qual se nota da perspectiva positiva e negativa. De tal forma, se determinará a composição dessa obra e, por muitas outras, o modo único e identitário de Mozart ser reconhecido como um extraordinário compositor

Quanto ao andamento da abertura se sente um caráter dramático e vívido que se desdobra em tempo andante e, em seguida, allegro. O clima do primeiro andamento pode percebido por uma com inflexão capaz de transmitir temor, algo característico do uso de acordo em tonalidade menor trazida. O diferencial nesse momento está em uma dinâmica súbita bem contrastante. Já a mudança de ambiente trazida pela tonalidade maior e estruturada nas características que definem a forma sonata como, a exposição clara de temas, revela o espírito jocoso que ganhará fluidez por toda a ópera. Disso se tem uma polarização variada capaz de acentuar o humor contrastante que nos permitir inferir, não só o que está por vir ao longo da trama, mas também, o traço de personalidade de seu jovem compositor - Wolfgang Amadeus Mozart.